Trava-quedas retrátil: uso e manutenção

Em minhas visitas a clientes pelo Brasil inteiro, o que mais vejo são equipamentos de altura sem condições de utilização – ou utilizados de forma inadequada.

E hoje gostaria de comentar, especificamente, sobre um equipamento que é utilizado na grande maioria das empresas e ao qual não se dá a devida atenção. Trata-se do trava-quedas retrátil, equipamento de retenção ou elemento de ligação conforme NR-35 (importante salientar que este equipamento não possui mais CA, apenas o cinto de segurança é considerado EPI, conforme portaria 292 do MTE de 2011). O trava-quedas retrátil é o único equipamento passível de manutenção. Conforme determinação da ABNT Nº14628, “Trava-quedas retrátil” cita:

 

Item 07 subparte F: orientação de que o trava-queda retrátil deve ser enviado para revisão pelo fabricante ou empresa por ele indicada. O período entre revisões não pode exceder 12 meses.

 

Com essa determinação, que deve ser informada e consta no manual do equipamento, as empresas não deveriam ter dúvidas quanto à revisão do equipamento. Mas, infelizmente, a determinação não é cumprida por mais de 70% das empresas. É muito comum se deparar com equipamentos que estão instalados há anos, sem nenhum tipo de manutenção ou inspeção adequada.

Mas, por que deveria fazer esta manutenção? Só porque a norma exige? De forma alguma!

As empresas devem fazer as inspeções anuais, primeiramente porque normalmente só se descobre que aquele equipamento, utilizado diariamente por ate três turnos, está com um possível defeito quando mais se precisa dele: numa ocorrência de queda. E, se o equipamento não estiver em condições de uso, irá causar um acidente que pode até mesmo levar o colaborador ao óbito.

Pergunto: será que vale a pena correr este risco?

Uso como exemplo a seguinte questão: não fazemos revisões periódicas em nossos veículos para mantê-los em boas condições sempre? Não é muito diferente disto.

Então reveja a situação de seus equipamentos de área e monte um cronograma de manutenção destes equipamentos! Praticamente todos os fabricantes fazem a manutenção dos trava-quedas. Importante: Somente o fabricante ou empresa por ele autorizada pode realizar a devida manutenção do equipamento e emitir o certificado de revisão do equipamento!

Tenho visto relatos de empresas no mercado que estão realizando manutenções e “re-certificações” de equipamentos sem o conhecimento ou autorização do fabricante.

Salientamos que qualquer alteração no equipamento sem o conhecimento ou autorização do fabricante está descaracterizando o EPI, o que é proibido por norma (NR-6 e também na RAC Equipamentos de proteção individual contra quedas N°388/2012 Avaliação de condicionamento e conformidade INMETRO).

E os equipamentos alterados por outras empresas perdem sua garantia e também não serão de responsabilidade do fabricante por danos que o mesmo possam ocasionar ao trabalhador, no caso de um possível acidente com o equipamento. Ou por qualquer notificação ou autuação junto Ministério do Trabalho, órgão competente em fiscalizar os equipamentos através de suas autarquias.

Rafael Cruz

Rafael Cruz

Especialista de Trabalho em Altura e Espaço Confinado.

Com mais de 15 anos como consultor de equipamentos de proteção individual. Formado há 4 anos como Instrutor e Pessoa Competente para Trabalho em Altura (OSHA/EUA) e Instrutor de Trabalho em Altura (NR-35). Além de ser instrutor de resgate industrial e espaço confinado.
Rafael Cruz

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