Espaço confinado: como escolher meu insuflador/exaustor?

Existem diversos modelos de equipamentos disponíveis no mercado, porém será que todos os modelos atendem à minha necessidade?

Seguindo a determinação do projeto da ABNT 16577 ANEXO B, a ventilação mecânica é a medida mais eficiente para controlar atmosferas perigosas em virtude da presença de gases e vapores tóxicos e inflamáveis e deficiência de oxigênio. Além de renovar o ar, auxilia no controle do calor e da umidade no interior dos espaços confinados.

Um sistema de ventilação deve garantir que o ar flua para dentro e para fora do espaço confinado, por meio da insuflação, exaustão ou uma combinação dos dois sistemas. A utilização simultânea de ventilador insuflador e ventilador exaustor é mais eficiente! E sempre será mais fácil insuflar um espaço confinado do que realizar a exaustão deste espaço.

Mas, mesmo sabendo que insuflar é a melhor solução, temos de levar em consideração outros fatores. Devemos considerar a geometria, volume, número e tamanho das aberturas do espaço confinado, interferências estruturais e equipamentos existentes, bem como poluentes, suas propriedades toxicológicas, temperatura, pressão, vazão e ponto de geração. Recomenda-se adotar uma estratégia adequada de ventilação, considerando os riscos atmosféricos existentes e os gerados pela atividade a ser realizada, pontos de liberação de contaminantes e as suas concentrações.

Para espaços confinados com presença de agentes químicos potencialmente inflamáveis, recomenda-se que os ventiladores, motores, quadros elétricos e fiação sejam adequados à classificação da área. E o mesmo deve possuir a devida certificação do INMETRO que assegure que o equipamento atenda a esta necessidade.

Sempre que estiver realizando serviços que possam vir a gerar particulados suspensos no ar, e também em serviços de solda, não se deve utilizar o equipamento como insuflador. Nesse caso, a exaustão é a melhor solução para esse tipo de operação.

Uma das informações mais importantes é a troca de ar de acordo com o tamanho do espaço confinado e como esse cálculo deve ser realizado. Abaixo uma pequena explicação.

 

A equação de ventilação em espaços confinados é:

Q = n × V

onde
Q é a vazão, expressa em metros cúbicos por hora (m3/h); (POTENCIA DO INSUFLADOR EM m3/h)
n é o número recomendado de renovações por hora (ren/h); (TROCAS DE AR)
V é o volume, expresso em metros cúbicos (m3). (TAMANHO DO ESPAÇO CONFINADO)

 

A quantidade de trocas de ar por hora ainda gera muitas dúvidas e trabalhamos com a recomendação baseada no NIOSH (Instituto Nacional de Segurança e Saude Ocupacional do EUA).

  • Devemos seguir, para áreas não classificadas, de 7 a 14 trocas de ar hora;
  • Devemos seguir, para áreas classificadas, de 15 a 20 trocas de ar hora;

Nestes casos eu recomendo que sempre considerem o excesso melhor que a falta de vazão, e quanto maior a vazão mais trocas de ar no respectivo espaço confinado.

Observação importante: para cada cotovelo no duto de 90° graus há um perda de vazão de, em média, 15%. E isso precisa ser levado em consideração.

Com as informações acima, já podemos compreender a necessidade de um equipamento que atenda à necessidade e que não há um equipamento genérico para todas as atividades. Consulte sempre um de nossos especialistas, que terão enorme prazer em lhe auxiliar na identificação do melhor equipamento para sua operação.

Rafael Cruz

Rafael Cruz

Especialista de Trabalho em Altura e Espaço Confinado.

Com mais de 15 anos como consultor de equipamentos de proteção individual. Formado há 4 anos como Instrutor e Pessoa Competente para Trabalho em Altura (OSHA/EUA) e Instrutor de Trabalho em Altura (NR-35). Além de ser instrutor de resgate industrial e espaço confinado.
Rafael Cruz