Trabalho em Altura: Mecânica de uma Queda e seus Riscos

Este é o ponto mais importante com relação à questão do peso do trabalhador, mas precisamos entender o que ocorre durante uma queda.

Quando um corpo qualquer cai, ele acelera e ganha energia. Dependendo de como esse corpo será parado, essa energia pode ser dissipada ou distribuída de uma forma que pode lesionar o trabalhador.

Vamos traçar um paralelo para facilitar a compreensão. Imagine-se dentro de um carro a 60 km/h. Em uma primeira situação, ao pisar no freio, o carro irá se deslocar por um determinado espaço até parar totalmente. Desta forma, o que será refletido nas pessoas que estão no carro será apenas uma leve força projetando-as para frente do banco.

Em uma segunda situação, se prendermos um cabo de aço bem longo no eixo traseiro e começarmos a andar. No momento que este cabo estica, o período de frenagem e deslocamento é quase nulo, semelhante ao que acontece quando batemos em um muro. Tudo que estiver dentro do carro será projetado violentamente para frente.

Esta mecânica é o que acontece quando sofremos uma queda. Nós somos os carros e nossos órgãos são as pessoas dentro dele, se deslocando em função da desaceleração.

A função do Cinto de Segurança tipo Paraquedista é criar pontos de conexão no corpo do trabalhador e distribuir o impacto por meio destes pontos ao longo do corpo. Este impacto está diretamente ligado ao sistema de absorção de energia que é utilizado durante o trabalho.

Se utilizarmos um Talabarte (cabo de segurança que conecta o trabalhador à estrutura) que não se alonga, este irá fazer o papel próximo à de um cabo de aço, ou seja, o trabalhador vai cair e o impacto vai ser muito grande. Para colocarmos um freio no sistema temos que incluir um absorvedor de energia que em caso de queda se abra e aumente o intervalo de tempo e espaço de frenagem.

As normas de ensaio testam os produtos nas piores condições: uma queda fator 2 significa uma queda com o dobro do comprimento do Talabarte utilizado e uma massa de 100 kg (veja imagens abaixo).

imagem_mecanica-de-uma-queda-e-seus-riscos

Se um trabalhador que pese mais de 100 kg encontrar-se em uma situação crítica de queda (fator 2), esta queda irá gerar uma energia maior. Isso implica que o cinto, aguentando uma força estática de 1.500 kgf (conforme o ensaio da norma) irá suportar o impacto, porém o trabalhador irá absorver boa parte desta energia restante gerada pela desaceleração brusca, podendo ocasionar lesões, mesmo sabendo que o absorvedor reduzirá as energias para menos 6 kN.

A solução para este caso é não expor o trabalhador a condições críticas de queda. Sempre que possível o ponto de conexão do Talabarte deve estar acima do trabalhador. Não só para pessoas com mais de 100 kg, mas para todos. Quanto menor o deslocamento, menor a energia gerada.

Porém, o corpo humano suporta em média 12 kN (quilonewton) de impacto distribuído pelo corpo. Mesmo assim, em todo ensaio, de acordo com as NBRs, os equipamentos de retenção de queda (Talabarte, Trava-Quedas) não devem ultrapassar o valor de força de frenagem superior a 6 kN, para que se garanta a integridade física do trabalhador.

As normas técnicas brasileiras da ABNT sobre equipamentos de segurança para proteção contra quedas incorporaram este mesmo padrão de 6 kN. Isto significa que, para um Equipamento de Proteção Individual para Trabalho em Altura conseguir a certificação INMETRO e o Certificado de Aprovação (CA) do Ministério do Trabalho, deve ser testado em laboratório para comprovação de que pode reter a queda de uma pessoa gerando sobre o corpo dela no máximo 6 kN.

Riscos após queda

Suspensão inerte

Um trabalhador pode cair ao perder a consciência ou perdê-la ao cair. Em ambos os casos, estando ele equipado com sistema de proteção contra quedas, ficará suspenso pelo Cinto de Segurança até o momento do socorro. O período em que o trabalhador fica suspenso sem consciência é chamado suspensão inerte.

Risco

Estudos científicos recentes provam que a suspensão inerte, mesmo que por períodos curtos de tempo, pode desencadear transtornos fisiológicos graves em função da compressão das artérias e consequentemente problemas da circulação sanguínea. Estes transtornos podem levar a sérias lesões ou até a morte, caso o resgate não seja realizado de maneira rápida e eficiente.

E lembre-se: Sempre que precisar de informações confiáveis, venha nos visitar, pois aqui é o Blog dos Especialistas em Trabalho em Altura.

Até breve!
Equipe Hércules